O ano de 2006 foi um ano importante na minha carreira acadêmica.
Depois de terminar a Licenciatura em Matemática no IME-USP, decidi cursar o Bacharelado em Estatística no mesmo instituto, um curso bastante trabalhoso e extremamente interessante. Poderia ser mais trabalhoso, pois consegui aproveitar 105 dos 181 créditos (58% do total) do curso pela primeira graduação. Para quem não sabe, cada crédito corresponde a uma hora de aula semanal e cada disciplina semestral costuma ter 4 créditos.
Está valendo a pena?
Sim, e muito.
Hoje eu tenho bem claro o significado e a importância da Estatística para o dia a dia das pessoas, das empresas, do governo. E para a minha formação, que se completa e se amplia de maneira bastante gratificante.
Depois de um curso bem teórico como a Matemática eu tive a oportunidade de ver muitas aplicações na Estatística já com a base e a maturidade matemática necessárias, podendo aproveitar bem melhor do que alguém que está na primeira graduação.
Matérias como Amostragem, Análise de Regressão, Análise Multivariada de Dados e Planejamento de Experimentos I e II aparecem em muitos problemas do dia a dia que necessitam de coleta de amostra probabilística relevante e modelagem de dados para extração de informações, previsão de resultados futuros e comparações entre populações.
Fora do âmbito da sala de aula, estou tendo a oportunidade de aproveitar muitas coisas que a universidade oferece: CEPEUSP para a prática de esportes, cursos de extensão, amizades valiosas que me faltaram na primeira graduação e a despreocupação com notas excelentes (nota não é tudo nessa vida).
Matemática x Estatística
Na Matemática foi uma Licenciatura que dava a formação pedagógica e trazia a maturidade matemática. Na Estatística, é a possibilidade de aplicar tudo isso, interagindo com outras áreas e tendo o conhecimento de uma poderosa bola de cristal que revela muitos segredos.
Ambos os cursos possuem diversas virtudes que, quando combinadas, trazem um perfil acadêmico e profissional raro e invejável.
O que poderia ser melhor?
Na universidade nós temos os melhores e piores professores de nossas vidas. Seria tão bom se tivéssemos aulas só com bons professores. No mundo real você encontra docentes compromissados com o ensino, que preparam aulas e que sabem explicar a matéria de uma maneira simples e objetiva. Mas você encontra outros docentes que não gostam de dar aula, não preparam aula (ou não sabem a matéria no nível desejado) e, se não se preocupam com a pesquisa, só se preocupam em gastar o salário no início de cada mês.
Por outro lado, a necessidade de trabalhar para pagar as contas me impede de uma dedicação melhor ao curso e, embora não hajam reprovações no meu histórico, as notas já não são tão boas quanto eu gostaria (ou será que eu sou exigente demais comigo mesmo?).
Situação atual
Faltam apenas 36 créditos (oito disciplinas, sendo duas de 6 créditos e seis de 4 créditos) e, portanto, este deve ser o meu último ano de graduação. A minha formação estatística para a pós-graduação, objetivo final, já está praticamente consolidada e neste aspecto só faltam quatro matérias das técnicas estatísticas: Séries Temporais, Análise de Dados Categorizados e Processos Estocásticos I e II. O restante, como Álgebra Linear e Estatística Aplicada I e II são meros detalhes (mas que eu espero que não dêem muito trabalho).
Estou tentando pleitear a matrícula em Estatística Aplicada I mesmo faltando alguns pré-requisitos. A situação atual é bastante indefinida e tudo pode acontecer. Vamos esperar e torcer!

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