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Vinte e cinco perguntas a serem respondidas pela ciência
Ciência, Saúde e Meio Ambiente1 Feedback »
O aumento da população mundial, o aumento dos preços dos derivados do petróleo e os problemas de perdas crescentes nas colheitas preocupam os mais atentos com a questão da fome e da pobreza.
A população mundial já sente o efeito com aumento no preço dos alimentos devido à redução das terras para cultivo com a disputa por espaço de plantio com biocombustíveis, o crescimento no custo de produção atrelado ao preço do petróleo usado em tratores e fertilizantes e à diminuição das reservas mundiais de alimentos.
Seria este um fenômeno passageiro ou o sinal de novos tempos?
O artigo a seguir, escrito por Martin Khor e acessível no site da revista Mirada Global, traz uma análise da situação.
As más notícias ecoam no mundo todo: os altos preços dos alimentos parecem ter chegado para ficar. O trigo e o leite alcançaram recordes históricos no mercado internacional, o arroz se encontra no nível mais alto dos últimos dez anos, o milho e a soja também estão acima do preço médio da última década e a carne disparou em muitos países.
A era da comida barata parece ter terminado. Com uma demanda que excede a oferta, existe a preocupação de uma escassez iminente. As reservas diminuem e alguns países já restringem a exportação de alimentos.
Não é incomum que os preços de alguns alimentos aumentem repentinamente e que logo abaixem. Isto se deve geralmente ao fato das colheitas se verem afetadas por secas ou por algum tipo de praga. A atual seca em alguns países produtores de trigo é uma das razões do recente aumento deste cereal. Desta vez, entretanto, parecem existir também fatores estruturais e de longo prazo que indicam que os altos preços dos alimentos se manterão ou que continuarão aumentando.
O primeiro fator é o incremento da demanda de alimentos nos países em desenvolvimento devido ao aumento da população, às maiores rendas e a uma mudança nas preferências. A China é um claro exemplo, mas existem numerosos países onde a demanda está deixando a oferta local para trás, o que produz, por sua vez, um aumento da pressão nos mercados internacionais.
O segundo fator é o aumento do preço dos insumos para a produção de alimentos. O petróleo constitui um claro exemplo: seu preço disparou e alcançou na semana passada o recorde de noventa e dois dólares por barril e alguns especialistas prevêem que alcançará os cem dólares. Isto impacta no preço dos alimentos pelo menos de duas formas: produzindo um aumento do preço de insumos como o combustível para os tratores e os fertilizantes e também dos custos de transporte marítimo dos alimentos.
O terceiro é o auge dos biocombustíveis, que está provocando a utilização de terras que poderiam ser destinadas para a produção de alimentos para a produção de combustíveis.
Segundo um relatório publicado em junho pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o aumento da demanda de biocombustíveis está produzindo mudanças fundamentais nos mercados que podem resultar em um aumento dos preços internacionais de muitos produtos agrícolas.
O relatório intitulado "Perspectivas da Agricultura: 2007-2016" afirma que fatores temporais como secas e baixas reservas podem explicar o recente aumento do preço dos commodities agrícolas. "Porém estão se produzindo mudanças estruturais que poderiam manter os preços nominais relativamente elevados de muitos produtos agrícolas na próxima década", adverte.
A mudança mais importante é "o crescente uso de cereais, açúcar e oleaginosas e azeites vegetais para produzir etanol e biodiesel, substitutos de combustíveis fósseis. Isto eleva os preços das safras e, como o custo das rações é maior, também eleva o preço do gado". Esta mudança no uso da terra, da produção de alimentos à de combustíveis, está fazendo soar alguns alarmes. Jean Ziegler, relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, disse no dia 26 de outubro em uma conferência da imprensa que deveria haver uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis, "já que é um crime contra a humanidade converter em combustível cultivos que podem ser utilizados como alimento". E acrescentou: "Os biocombustíveis estão promovendo um aumento dos preços dos alimentos; e existem no mundo 854 milhões de pessoas que passam fome".
Outro relatório recente da FAO intitulado "Perspectivas de safras e situação alimentícia" afirma que os preços internacionais do trigo experimentaram um forte aumento desde junho, alcançando preços recordes em setembro devido a uma redução da oferta mundial, baixas reservas e uma demanda constante. Os altos preços de exportação e o aumento no custo do transporte "impulsionam o aumento dos preços internos do pão e de outros alimentos básicos nos países em desenvolvimento que dependem da importação e provocam tensão social em algumas áreas".
O aumento no preço da farinha de trigo e seu possível repasse inflacionário para o pão e para a massa monopolizaram as notícias da imprensa na Malásia. O governo, por sua vez, solicitou que os produtores de alimentos derivados do trigo não aumentassem os preços de forma excessiva.
Estima-se que os países em desenvolvimento gastarão este ano uma cifra recorde de 52 bilhões de dólares na importação de cereais.
O relatório da FAO também destaca que:
- Apesar das colheitas extraordinárias, os preços do milho se encontram muito acima dos preços do ano passado devido a uma forte demanda da indústria dos biocombustíveis.
- A safra de cereais deste ano só conseguirá cobrir os níveis de utilização de 2008, o que significa que as reservas não se recuperarão. As reservas permanecerão em níveis muito baixos no futuro próximo.
- As reservas de trigo são preocupantes. A demanda constante e o aumento insuficiente da produção neste ano podem fazer com que as reservas mundiais caiam pelo menos em quatorze milhões de toneladas, até os 143 milhões de toneladas, o nível mais baixo em vinte e cinco anos.
- Trinta e seis países enfrentam atualmente crises alimentícias. Com os preços dos alimentos em alta e o aumento da insegurança alimentícia, muitos países planejam incrementar sua própria produção. Como a importação de alimentos é bastante onerosa, fica economicamente mais rentável tanto para os agricultores quanto para os países começar a produzir ou aumentar a produção de vários tipos de cultivos destinados à alimentação.

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